💸 F-You Money 💸
Dinheiro não é o objetivo. É a ferramenta.
Hoje quero fazer algo um pouco diferente.
Normalmente escrevo-vos sobre investimentos, empresas, oportunidades, mercados e estratégias para construir património.
Mas hoje quero falar um pouco mais sobre mim.
Antes de mais, quero agradecer-vos.
A sério.
Pelas mensagens, pelo feedback, pelas sugestões e até pelas críticas. É incrível perceber que, do outro lado do ecrã, existem pessoas que dedicam alguns minutos do seu dia a ler aquilo que escrevo e, muitas vezes, a responder-me.
O F-You Money começou como uma ideia. Uma forma de organizar os meus próprios pensamentos sobre dinheiro, investimentos e liberdade financeira.
Mas, pouco a pouco, está a transformar-se numa conversa.
E gosto disso.
Sim, vivo no Canadá. Mas não, não chove dinheiro.
Uma das coisas que algumas pessoas assumem é que, por viver no Canadá, tudo é mais fácil.
É verdade que existem oportunidades.
Provavelmente mais do que em muitos outros países.
Mas existe uma coisa que também é verdade:
Viver aqui é absurdamente caro.
Casa. Alimentação. Seguros. Transportes. Serviços. Atividades para crianças.
Tudo custa muito dinheiro!
E poupar aqui pode ser tão difícil como em qualquer outro lugar do mundo.
A geografia pode mudar.
Mas a matemática continua a mesma.
Se gastamos tudo o que ganhamos, não construímos liberdade.
E se tentarmos poupar cada cêntimo e esquecermos de viver, talvez também estejamos a perder alguma coisa pelo caminho.

A nossa decisão: uma família, um rendimento.
Na nossa casa tomámos uma decisão que, financeiramente, provavelmente não aparece em nenhum livro de otimização de património.
A minha mulher ficou em casa para acompanhar os nossos filhos.
Isso significa que somos uma família com apenas um rendimento.
Sim, poderia trabalhar mais.
Sim, provavelmente poderia investir mais dinheiro todos os meses.
Sim, talvez o gráfico do meu património crescesse mais depressa.
Mas dinheiro não é a única métrica que importa.
Acreditamos que estar presente na educação dos nossos filhos é importante.
E, até agora, sentimos que a decisão tem valido a pena.
Vê-los crescer, acompanhar a escola, os desafios, as pequenas conquistas e estar verdadeiramente presente na vida deles é algo que não consigo colocar numa folha de Excel.
Felizmente, parecem estar a crescer bem, a ter bons resultados na escola e, acima de tudo, a tornar-se boas pessoas.
E isso, para mim, também é retorno sobre investimento.

Também investimos em experiências.
Os nossos filhos praticam desporto.
A minha mais velha aprendeu a patinar no gelo — algo que provavelmente nunca teria acontecido se tivéssemos ficado em Portugal.
Nos últimos tempos, os três também passaram por aulas de natação.
Dois jogam futebol.
Um de forma recreativa.
O outro de forma competitiva, com vários treinos por semana e jogos.
E sim.
Tudo isto custa dinheiro.
Bastante dinheiro, na verdade.
Inscrições.
Equipamento.
Deslocações.
Combustível.
Tempo.
Muito tempo.
Mas também são memórias.
São amizades.
São aprendizagens.
São derrotas.
São vitórias.
São experiências que ajudam a formar pessoas.
E eu não quero construir uma carteira de investimentos fantástica enquanto perco a oportunidade de viver estes momentos.

Poderia investir mais?
Sem dúvida.
Poderia trabalhar mais horas?
Claro.
Poderia cortar algumas despesas?
Sempre.
Mas existe uma pergunta que faço regularmente:
Para quê?
Qual é o objetivo de acumular dinheiro?
Chegar aos 60 ou 65 anos com uma carteira enorme?
E depois, finalmente, começar a viver?
Não quero isso.
Quero construir liberdade financeira.
Mas quero também aproveitar a liberdade que já tenho hoje.
Porque existe uma armadilha perigosa no mundo das finanças pessoais:
Passamos tanto tempo a preparar a vida futura que nos esquecemos de viver a vida presente.

O equilíbrio é a verdadeira riqueza.
Não estou a defender a irresponsabilidade financeira.
Não estou a dizer para gastar tudo.
Não estou a dizer para ignorar investimentos.
Muito pelo contrário.
Continuem a investir.
Criem uma reserva.
Construam ativos.
Comprem tempo.
Criem fontes de rendimento.
Pensem no futuro.
Mas não se esqueçam de uma coisa:
O futuro não está garantido. E o presente também tem prazo de validade.
Os nossos filhos não serão crianças para sempre.
Os nossos pais não estarão cá para sempre.
Nós próprios não teremos sempre a mesma energia.
Existem momentos que simplesmente não podem ser recuperados mais tarde.
Não existe um ETF que compre de volta o tempo que não passámos com quem gostamos.
Por isso, sim.
Eu invisto.
Estudo empresas.
Acompanho mercados.
Procuro oportunidades.
Quero construir património.
Quero chegar ao verdadeiro F-You Money.
Mas não quero chegar lá sozinho.
Nem quero olhar para trás um dia e perceber que, na obsessão de construir o futuro, deixei passar a vida.

A minha filosofia é simples.
Planeia como se fosses viver 100 anos.
Vive como se o tempo fosse limitado.
Encontra o equilíbrio.
Investe no teu futuro.
Mas investe também na tua família.
Na tua saúde.
Nas tuas experiências.
Nas tuas memórias.
Porque, no final, dinheiro é apenas uma ferramenta.
E uma ferramenta só tem valor quando é usada para construir algo.
Eu estou a tentar construir liberdade.
Mas também estou a tentar construir uma vida que valha a pena recordar.
E espero que vocês também.
Até à próxima,
Luis
F-You Money 💰

Disclaimer: Este conteúdo destina-se exclusivamente a fins educativos e informativos e não constitui aconselhamento financeiro, legal ou fiscal. Faz sempre a tua própria investigação antes de tomares decisões financeiras ou de investimento.
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